8.4.13

Eu só quero sentar. Sentar para ler meus livros. Cheirar cada letrinha, fumar as páginas, tragar as histórias. E, em fumaça, expelir o que não me interessa. 
Não me importo mais com histórias de amor. Muito provavelmente, porque acho a minha a mais bonita de todas. 
Não ligo para grandes dramas. "Os Miseráveis", veja você, já não é mais pra mim.
E também não quero nada conhecido, comentado, que esteja no auge da sua fama. Não quero correr o risco de que alguém olhe para mim e se identifique. Quero algo pra mim, e só. Nada que renda conversas medianas, fóruns de discussão ou grandes adaptações cinematográficas.
Não tô a fim de seguir um padrão. Quero laranja, mesa e sapo. 
Por tudo isso, peguei três livros jogados ao canto das prateleitas. Um romance em prosa, um livro de contos e uma graphic novel de capa minimalista.
Não quero lembrar, por alguns instantes, que sou Beatriz, estudante de radialismo, marcada, cheia de traumas, manias secretas, aversões, com coisas a fazer.
Não quero ser ninguém.
Só quero ler.

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