11.4.13

Casa das Rosas
SP

Entrei.
Com fones de ouvido.
Bolsa, sacolas pesadas.
Cabelo bagunçado.
Cansada.

Coloquei os pés no salão principal,
E a moça da recepção já não usava mais tailleur.
 O segurança da porta era o anfitrião,
E a casa estava em festa.

Os meus cachos desalinhados,
Arrumaram-se em um penteado.
E o peso das sacolas,
Tornou-se peso de um vistoso vestido.

Dancei.
Passos tímidos, pois era uma moça muito recatada,
Mas ainda assim,
A frente de meu tempo.

Fitei o moço de olhos azuis e aparência elegante e sensível do outro lado da multidão.
Fiz-lhe um sinal discreto com a cabeça.
Ele acenou de volta.
Meus lábios abriram-se num sorriso quase involuntário.
Os dele também.
Olhei de novo para o moço. Com o olhar, apontei a escada.
Subi, quase correndo, quase andando.

Na varanda, o esperava.
Ele surgiu
Como um herói que surge bem a tempo.

Beijou-me a mão.
Beijou-me os braços.
Beijou-me os ombros.
Beijou-me as bochechas.
Beijou-me.

Infinitamente,
Tão plenamente,
Tão lindamente,
Apaixonadamente.

Fiquei sem ar!
Estou sem ar!
Mas, ora,
Quem disse que eu queria ar?

Suas mãos esco-

...

Buzinas descontroladas.
Os carros me tiraram de lá.
A realidade, como mãe castradora que é,
Foi me buscar mais cedo.

Saí dali.
Av. Paulista.
Peguei o metrô, fui pra casa.
Com os pés cansados de festa.