31.10.11

Faz sumir!

Tá vendo essa ansiedade?
Vá gastá-la numa montanha-russa.
Quer se livrar dessa saudade?
Troque idioma. Essa palavra só existe em português.
Sabe essa sua melancolia?
Jogue-a num campo de futebol no meio de uma partida acirrada.
Assim, ela toma uma bicuda e voa pra bem longe.
E essa baixa autoestima?
Pegue-a do chão e dê pra pessoa mais alta que você conhece segurar lá em cima.
Tá vendo esse monstro debaixo da sua cama?
Chame pra tomar um café. Se rolar, pode até trocar uns beijinhos.
Tá vendo esse medo?
Medo?
Ih, sumiu!

Baile

Resolvi que ia dar uma festa. Chamei todo mundo que julguei importante.
A extroversão entrou dando altas gargalhadas, junto com a sua prima, a Insegurança. Que até deu umas olhadelas pra um dos moços de lá, mas não teve coragem de ir falar.
A Ternura chegou delicada, e a Discrição praticamente nem se fez presente. Quietinha, ela.
A Timidez disse que vinha, mas acabou que não. E a Tristeza, aquela arroz de festa, foi a primeira a aparecer. Tá sempre lá.
Eis que a porta se abre e a música. Os irmãos Amor, Felicidade e Euforia estavam lá, sorrindo para todos. E a Fê trouxe a filhinha, Tranquilidade.
O Amor me olhou bem nos olhos e estendeu a mão. Me chamou pra fazer um ou dois passos de dança com ele. Não pude dizer não, ainda mais com a Felicidade me empurrando.
Só que, do nada, meu parceiro avistou outra pessoa. Foi aí que o Amor resolveu que ia me largar pra dançar com outra.
E agora, do meu lado, só sobraram as irmãs Lembranças e essa chata dessa Saudade que não desgruda.

29.10.11

Falha de comunicação

- Ai, ai, ai...
- O que foi, querida?
- Anseios...
- Ahn? Seios?
- É...
- Como assim?
- Ah, eles vêm do nada, começam a crescer...
- Hm...do... nada?
- É. Sabe como é, né?
- Ué, não. Esse é o tipo de coisa que só mulher tem.
- Ah! Os homens são imunes, então? Tudo bem. Mas se começasse a aumentar cada vez mais, você, como meu namorado, não ficaria incomodado? Por mim?
- Na verdade, eu não ia reclamar se eles aumentassem um pouquinho...
- O QUÊ? Você está querendo me dizer alguma coisa? Pois saiba que eu cansei desse seu machismo insensível. Só se importa com você mesmo! Pra mim chega! Acabou!

15.10.11

- Olha! Você engessou o pé! Quebrou?
- Foi. Você nem imagina que loucura.
- Conta!
- Eu tava voltando pra casa e resolvi parar uma estação de metrô antes pra dar uma caminhada. Assim que saí, um cachorro escapou da coleira de um policial e veio correndo na minha direção!
- Jura?
- Juro. Aí eu fui desviar e acabei esbarrando num cara enorme, do tipo brutamontes. Ele achou que tinha sido de propósito e correu atrás de mim que nem um louco.
- Ô, tadinho!
- E assim que eu consegui despistá-lo, acabei pisando numa tampa de bueiro solta e caí lá dentro! Assim, pá, na água suja. Um horror. Comecei a andar desesperado pra sair de lá. Achei uma escadinha, que estava imunda, blergh, não gosto nem de lembrar.
- E aí, e aí?
- Na hora em que eu coloquei a cabeça pra fora do buraco, o policial dono daquele cachorro me viu e disse que ia me prender por ter entrado lá. Disse que é ilegal.
- Tá de brincadeira pra cima de mim.
- Tô nada. Tentei explicar pra ele o que tinha acontecido, mas ele não tava nem aí. Me botou dentro do carro e me levou até a delegacia. Daí ligou pra minha mãe que...
- Sua mãe?
- É, pra ela. Teve que ir lá me buscar. Aí a gente foi pra casa.
- Ué, mas e o pé, quebrou quando?
- Ah, é. Minha mãe tava lavando a cozinha e, na pressa de sair, não teve tempo de secar o chão. Fui entrar lá e escorreguei.

9.10.11

But when I see you, darling...


Engraçado como tudo fica bem melhor quando eu lembro de quem é você. É, assim, no presente, porque você já sabe que está vivo em mim.
Sabe, esse ano eu lembrei bastante do que você me ensinou sobre não poder jogar a culpa em ninguém. Afinal, somos todos humanos, todos vítimas da insanidade. Com medo de tudo, até do Sol.
E eu senti medo, Johnny boy. Como senti. Mas aí eu me recordei da história de um menino que cresceu numa família estranha, que foi reprimido e que saiu correndo pra brilhar assim que pôde. Então resolvi que, mais uma vez, ia seguir os seus passos e não me prender ao passado. Eu também ia sair correndo pra brilhar. E crescer.
Os anos passam e o meu amor só cresce. Imagina só, algum dia acho que meu peito explode.
Feliz aniversário.
Eu amo você mais do que qualquer outra coisa.

7.10.11

Eu precisava ver o que tinha dentro de mim. Só que, assim como um cofrinho de criança, seria preciso quebrar meu coração para checar o conteúdo.
Você não o fez com violência. Esbarrou jeitosamente, eu diria.
Ao espatifar no chão, uma quantidade infinita de coisas novas se espalharam pela minha cabeça.
Encontrei força, esperança, um pouquinho de paz e muito amor. E é bom frisar que, entre um sentimento lascado e outro, você fez questão de deixar um tubinho de super cola.
E agora cá estou, sentada, digerindo essas sensações enquanto junto meus caquinhos.