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Pequena, ela entrou na casa. O salto de seus sapatos faziam um barulho seco que ecoava pela sala sombria. Seus olhos percorreram o lugar: uma escada de madeira retorcida e alta, móveis antigos cobertos de poeira. Continuou andando em círculos até que percebeu uma porta larga e podre. Sabia que não devia, mas não resistiu. Andou até ela e, desconfiada, entrou.
No quarto, muitas sombras e muitos, muitos brinquedos. Bailarinas, palhaços, ursinhos, fantasias, saias de tule, coletes de cetim. Todos os objetos brilhavam na escuridão, e algo chamou a sua atenção. Uma cama grande, com aparência limpa, macia e convidativa. Os lençóis de seda negra pareciam chamá-la. Pareciam ? Não, ela realmente os escutava ! "Alice, Alice...". Aliás, não só os lençóis falavam, como os bonecos também. "Alice, Alice...".
Ela olhou novamente a cama. De repente, sentiu-se cansada. Sentou-se na cama e fitou os brinquedos que, agora, pareciam retribuir-lhe os olhares.
Deslizou as mãos pela cama e deitou-se. Um barulho alto tomou o silêncio mórbido, os bonecos e roupas perderam seu brilho.
Assim, as estantes ganharam um novo brinquedo e o lugar ficou vazio novamente.


